COMPORTAMENTO | Entrevista

Cintia Loureiro, primeira-dama de Florianópolis, afirma: “Não vou parar aqui”
"É engraçado perceber que ainda hoje, uma mulher decidida e empoderada ainda choca algumas pessoas"



Assertiva nas decisões, corajosa nas ações e prudente nas posições. Assim é a Cintia Loureiro, primeira-dama de Florianópolis. A premiada arquiteta e urbanista caminha ao lado do marido, Gean Loureiro, na missão de administrar a Capital Catarinense.
 
Dentre as missões de Cintia está a dedicação à Fundação Somar – organização de voluntariado que a primeira-dama ajudou a criar e que hoje é exemplo nacional. “Nunca sequer imaginei fazer parte de algo assim. Não sabia que me realizaria tanto nesse trabalho. Descobri mais uma área de atuação que me empolga e inspira. Arquitetura ainda é minha paixão, mas a importância do trabalho voluntário é contagiante,” afirma.
 
A satisfação de falar do voluntariado, é a mesma que Cintia emprega quando fala da família: Ela é mãe de quatro lindas moças. “Nossa casa é alegre e barulhenta. As meninas conversando ao mesmo tempo, cada uma com a sua personalidade.”
 
Atos públicos, voluntariado, família... Como ela concilia tudo isso? Cintia brinca: “Acho que Deus, secretamente, dá às mulheres algumas horas do dia a mais. É a única explicação. Somos todas multiatarefadas.”
 
A esposa do Prefeito de Florianópolis, afirma que já pensou sim em ser candidata e avalia que “nós mulheres, precisamos aumentar a nossa representatividade.” No entanto, Cintia pondera que “não basta ter vontade ‘de ser alguma coisa’. É preciso querer ‘fazer’ alguma coisa, melhorar a vida das pessoas,” e finaliza: “o futuro a Deus pertence.”
 
Sobre o protagonismo das mulheres na sociedade, Cintia avalia que “é engraçado perceber que, ainda hoje, uma mulher decidida e empoderada ainda choca algumas pessoas.” Ela falou sobre esse assunto e muito mais, em uma super entrevista para o Sou Catarina.
 
Confira!


Cintia, como é ser esposa de um prefeito como o Gean Loureiro?
Eu não sou esposa de um prefeito. Eu sou casada com um homem maravilhoso, inteligente, bem-humorado, pai incrível, amoroso e que por um período da vida está prefeito da Capital do melhor Estado do Brasil.  
Ser a companheira dele, enquanto ele está prefeito, não é nada fácil. Exige uma série de sacrifícios. Mas eu acredito no trabalho dele e por isso não reclamo e dou todo o apoio e incentivo que ele precisa. Assim como ele já fez por mim em outros momentos difíceis da minha carreira profissional.

 


Seu esposo é muito ativo, produtivo, inquieto... Isso dificulta ou atrapalha a relação de vocês?
De forma alguma. Acho que sou mais que ele (risos). O que me irrita é passividade, apatia. Não viemos ao mundo a passeio. A vida passa rápido. É preciso agir quando as oportunidades aparecem.
 
Você é uma primeira-dama muito ativa. Por que faz questão de participar e atuar firmemente ao lado do seu esposo?
Isso não é nada consciente. É uma característica pessoal. Sempre entro de corpo e alma em tudo que participo. Quando percebo já estou super envolvida. Se eu vejo que posso resolver alguma coisa, vou atrás, me dedico e procuro ser útil. E olha que eu já tentei mudar! Mas não consigo.

 


Dentre suas várias ações está o Somar Floripa, que você inclusive é fundadora. O que essa Fundação faz e o que ela representa para você?
Quando Gean se propôs a ser candidato a prefeito, eu imaginei que minha contribuição no mandato dele seria relacionada a arquitetura e urbanismo, que é a minha área de formação técnica. Mas, para a minha surpresa, ainda existe o antigo estereótipo de que a mulher de um prefeito tem o dever de assumir alguma função social no município. E existe uma pressão muito grande para que isso se perpetue. Mas eu entendo que assistência social é uma ciência e não tem nada a ver com caridade ou compaixão.


Então eu pesquisei muito para buscar uma alternativa para atender à essa expectativa, mas sem interferir na política de assistência social do município. Constatei que muitas pessoas queriam contribuir de alguma forma com o município, nas diversas áreas de atuação, não apenas na social. Mas legalmente não era possível aceitar essa contribuição voluntária. Propus ao prefeito que fizesse uma lei regulamentando o voluntariado no município de Florianópolis. Assim, começou uma verdadeira revolução na nossa prefeitura.
Criamos uma Rede Solidária de Voluntários, que para a minha surpresa cresceu exponencialmente. Essa simples iniciativa abriu definitivamente as portas da prefeitura para qualquer pessoa que quisesse colaborar. E elas vieram com novas ideias, sugestões e muita troca de experiências. Os voluntários são orientados pelos técnicos do município, atuam com contrato de trabalho e todo suporte para contribuir de forma produtiva.
O próximo passo era aproximar as organizações sociais já estabelecidas no município. Fizemos o credenciamento de 30 no primeiro ano, oferecendo voluntários treinados por nós. Entidades de Proteção Animal, Defesa Civil, Saúde, Educação e também de assistência social. Extrapolando em muito a expectativa inicial.
Começamos a receber oferta de doações para apoiar as ações e organizações sociais. Também não havia estrutura no município para receber esse tipo de ajuda. Fizemos a adequação legal e a inclusão dessas doações no portal transparência do município.
Hoje, cinco anos desde sua criação, a rede cresceu. Viramos uma fundação totalmente legalizada, que tem mais de 11 mil voluntários inscritos e em torno de 180 instituições cadastradas.
Não é uma atividade da primeira-dama, eu evito aparecer nas matérias sobre nossas campanhas, nunca faço entrega de doações. É uma entidade dos cidadãos de Florianópolis, é deles todo o crédito. Criada para somar, auxiliar e dar suporte.
A nossa mais recente iniciativa foi dar início ao Centro Somar de Inovação Social, para apoiar novos empreendedores sociais, com espaço físico de coworking para estabelecer o negócio, treinamento com instrutores de excelência, uma verdadeira “incubadora” de novos Empreendimentos Sociais como foi o próprio Somar Floripa.
A Fundação Somar não estava nos meus planos. Nunca sequer imaginei fazer parte de algo assim. Não sabia que me realizaria tanto nesse trabalho. Descobri mais uma área de atuação que me empolga e inspira. Arquitetura ainda é minha paixão, mas a importância do trabalho voluntário é contagiante. Não vou parar aqui.
 
Você tem dimensão do quanto você influencia e contribuiu com a vida de outras mulheres?
Você acha? Eu não sei, porque tento ser o mais discreta o possível. Faço um trabalho de bastidores. Sempre divulgo as ações positivas que fazemos na prefeitura, mas evito aparecer e raramente vou aos eventos públicos.
 

Na sua casa só tem mulheres: são quatro filhas. Como é conviver com este grupo de independências?
Sim!!! Gean brinca que lá em casa só entra mulher, até a nossa cachorrinha é fêmea, diz que homem já basta ele. Fala isso porque tem ciúmes dos candidatos a namorados das meninas. Ele é muito mimado por todas nós.
Nossa casa é alegre e barulhenta. As meninas conversando ao mesmo tempo, cada uma com a sua personalidade, todas se fazendo notar e fazer sua vontade prevalecer. Nos finais de semana então é uma loucura! As amigas se juntam ao time e é um festival de assuntos. Elas inventam receitas na cozinha, bolos, guloseimas. Depois entram todas em dieta (risos). E sempre tem alguém de TPM! Ou todas!! Adoro a nossa bagunça. Quando alguma delas não está, fico triste. Sinto muita falta.
 
As mulheres são seres fantásticos e por isso sempre sobrecarregados de tarefas. Como você concilia todas suas atividades?
Acho que Deus, secretamente, dá às mulheres algumas horas do dia a mais. É a única explicação. Somos todas multiatarefadas.
Eu tenho muito apoio. Sou cercada de pessoas competentes as quais eu posso delegar algumas tarefas. Sempre gostei de trabalhar em equipe. Saber selecionar, delegar e reconhecer o trabalho da equipe é o segredo do sucesso de qualquer empreendedor. É primordial.
Ter um bom raciocínio lógico, ser organizada, objetiva e pontual também ajuda muito.

 

Cintia e você já pensou na vida pública? Em ser candidata nas eleições?
Se eu dissesse que não, estaria mentindo. Aliás eu acho que todo cidadão deveria pensar nisso em algum período da vida. Principalmente nós mulheres, pois precisamos aumentar a nossa representatividade. Mas eu acredito que para se candidatar a qualquer cargo público a pessoa precisa dispor de tempo para se dedicar completamente à função. É uma responsabilidade enorme e não pode ser feita pela metade.
Enquanto minhas filhas eram pequenas, isso seria impossível pois o Gean já tinha essa dedicação integral quando nos conhecemos. Um de nós precisava focar na família.
Fora isso, eu sou muito tímida, sempre fui. Seria um enorme desafio vencer esse obstáculo. Mas o futuro a Deus pertence.
Eu acredito que não basta ter vontade “de ser alguma coisa”. É preciso querer fazer alguma coisa, melhorar a vida das pessoas. De todas as pessoas.
 
Seu esposo foi acusado de infidelidade. Creio que para a família, foi um momento de muita turbulência, mas superado. Isso te fez mais forte?
Toda dificuldade vencida nos faz crescer, amadurecer. Muitos casais já passaram por problemas semelhantes. Somos seres humanos, cheios de imperfeições. Na vida a dois é preciso saber vencer muitos problemas, aprender a perdoar e ser perdoado. Levar em conta toda a história vivida juntos. Foi muito triste também ver um problema conjugal, íntimo ser exposto e explorado em uma campanha eleitoral. Mas acho que o fracasso dessa tentativa nas últimas eleições, vai inibir que outras pessoas passem por algo semelhante. O cidadão mostrou nas urnas que está cansado de artimanhas e golpes baixos na política.

 

Cintia, as vezes não suportamos certas situações. Para você existem momentos onde é preciso ser firme, dar um murro na mesa e se posicionar? Seja no trabalho, na família ou na profissão?
Fui a única aluna de uma turma de engenharia elétrica na UFSC. Depois cursei arquitetura e iniciei muito nova uma carreira na construção civil. Não foi fácil me fazer respeitar. Ouvi todo tipo de frase preconceituosa como por exemplo: “Ou a mulher é bonita ou é inteligente”, “Mulher não entende de obra, só de cozinha”, “Não obedeço ordem de mulher”. Fora os assédios e importunações.
A vida me ensinou que para ter êxito eu precisava me impor e ser firme. Nem sempre é necessário erguer a voz ou dar um murro na mesa.
Mas, com todo respeito às divergências e muita paciência, devemos expor nossas posições, opiniões e argumentar demonstrando conhecimento e experiência. É engraçado perceber que, ainda hoje, uma mulher decidida e empoderada ainda choca algumas pessoas.






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