ARTE E CULTURA | Entrevista

Ana Cláudia - A autora que contou em livro a luta contra o Câncer de Mama



Ela suspeitava de um pequeno caroço na mama e a desconfiança se concretizou: era um câncer. “Eu fui forte a maior parte do tempo. Lutei contra todos os sintomas que pude.” Esse relato é da catarinense Ana Cláudia Bett Hinckel, que resolveu contar a experiência no livro “Se tiver uma chance, reinvente-se!”
 
A moradora de Lages afirma: “Resolvi relatar minha experiência com o câncer de mama porque não imaginei que passaria por situações invasivas, perguntas indiscretas e comentários desanimadores. Escrevi com o coração, um relato sincero. Há partes para se emocionar e rir ao mesmo tempo.”
 
Em entrevista para o portal Sou Catarina, Ana Cláudia conta que no livro, dá “dicas de como ajudar alguém a enfrentar o tratamento” e apresenta perguntas que ‘não’ devem ser feitas para alguém com essa doença.
 
A autora envia gratuitamente o livro digital para quem tiver interesse. “O livro ‘Se tiver uma chance reinvente-se’, eu mando para quem quiser por e-mail, sem custo, minha intenção é ajudar quem passa pela doença e familiares e amigos.” (Endereço de e-mail no final da entrevista).
 
Confira a entrevista! 

 
Ana, gostaríamos que você se apresentasse.
Nasci e cresci em Lages. Aos 22 anos, morei por um ano nos Estados Unidos. Agora, continuo morando em Lages.  Hoje não sei definir minha profissão. Fui professora de inglês durante anos, em colégio particular, cursinho e universidade. Sou formada em Letras e Direito. Atualmente, coordeno o Projeto Laços de Vida, do Colégio Santa Rosa, idealizado por mim, com apoio das Irmãs da Divina Providência e Direção. O projeto tem como objetivo, despertar nos estudantes e comunidade, um olhar solidário às mulheres que enfrentam o câncer e também desenvolvemos um trabalho nos três asilos da cidade, levando crianças e adolescentes para fazerem atividades lúdicas com os idosos, canto, dança...


Você é escritora e no seu currículo já estão diversas publicações. Uma das suas obras conta sua história pessoal de luta contra o câncer de mama. Por que decidiu compartilhar os momentos por qual passou?
Sempre fui boa leitora, mas nunca imaginei escrever um livro. Resolvi relatar minha experiência com o câncer de mama porque não imaginei que passaria por situações invasivas, perguntas indiscretas e comentários desanimadores. Muitas pessoas acharam que eu ia morrer e não esconderam seus sentimentos. Eu não tive medo de morrer, mas refleti sobre a vida e a reação das pessoas. Tive verdadeiros anjos ao meu lado, mas algumas pessoas não sabiam como agir e se afastaram. Minha escrita é leve. Escrevi com o coração, um relato sincero. Há partes para se emocionar e rir ao mesmo tempo. No livro dou dicas de como ajudar alguém a enfrentar o tratamento e cito perguntas que não devem ser feitas.
Descobri-me escritora após este primeiro livro. Escrevi mais três livros, dois de crônicas e um de contos. Levo o humor e a reflexão ao escrever. As pessoas, facilmente identificam-se com alguma história. Escrevo muito sobre questões voltadas ao mundo feminino e que cabem perfeitamente no universo masculino. Homens e mulheres não são oponentes. Podemos e devemos lutar pelos direitos negados à mulher e entender que somos frutos de um sistema patriarcal que ainda se faz presente em pleno século XXI.  
 

Ana Claudia, quando foi que você recebeu o diagnóstico de câncer de mama? Como descobriu a doença e como foi o tratamento?
Eu sempre cuidei da minha saúde. Tinha um nódulo visível e palpável na mama esquerda e os médicos que eu consultava na época, afirmaram que não era nada. Eu queria fazer uma biópsia e meu pedido foi negado. Comecei a perder peso rapidamente e voltei a fazer exames. O nódulo que tinha um centímetro já estava com quase quatro. Precisei retirar a mama, fiz reconstrução no ato da retirada do tumor, eram três e tive três linfonodos comprometidos. O câncer ia começar a invadir outros órgãos, caso tivesse esperado mais tempo. Passei pela quimioterapia, radioterapia e depois fiz a reconstrução mamária novamente, em Porto Alegre, com uma técnica menos invasiva. Fiz hormonioterapia durante cinco anos e hoje estou livre de remédios e curada.  
 
Mas quando soube que era câncer e que precisava tratar, como você reagiu?
Eu fiquei tranquila. Sentia que havia algo errado com minha saúde e não aguentava mais ficar na dúvida. Já passei por coisas piores, como ver meu filho na UTI ao nascer muito prematuro e com poucas chances de vida. Fiquei indignada com os médicos que não prestaram atenção na minha saúde, nunca mais os vi, não guardo mágoas. O tempo não volta atrás e a vida seguiu em frente, com tudo que eu tinha planejado para mim, só demorou um pouco mais para acontecer.                                                      

Sabemos que o tratamento dessa doença, muitas vezes é agressivo e debilita a pessoa. Como foi no seu caso?
Eu fui forte a maior parte do tempo. Lutei contra todos os sintomas que pude. Procurei soluções simples e às vezes remédios para aguentar os efeitos colaterais. Perder o paladar foi a pior coisa que enfrentei, é mais fácil perder o cabelo. Tive fraqueza, dores no corpo, desânimo, fiquei muito magra, a pele ficou ressecada... Mas em nenhum momento deixei que isso me impedisse de tentar levar uma vida relativamente normal. Ocupei meu tempo com atividades diferentes.
 
Durante o tratamento, você desanimou? Achou que não conseguiria suportar?
Tive alguns momentos de desânimo, chorei muito em algumas fases. O tratamento parece interminável. Nunca fui de arrastar correntes, nem de me lamentar, então logo eu me recuperava. Mantive minha autoestima e tive apoio de pessoas muito especiais.
 
O que te motivava a seguir?  
Estou sempre em busca de novos sonhos e projetos de vida. O câncer faz parte do meu passado. Parece que nem tive. Não guardo sequelas emocionais, apenas físicas e suportáveis.
 
Hoje, você está livre do câncer? Como é sua rotina de exames e cuidados?
Atualmente faço exames anuais, da “cabeça aos pés”.
 
LIVROS
Ana Cláudia Bett Hinckel também lançou as seguintes publicações:

“Ou é amor ou é comercial de margarina” - Narra histórias de várias mulheres representadas por Olga, como se uma única mulher fosse capaz de ter vivido tantos amores, encontros e desencontros. A autora questiona a duração dos relacionamentos, o que é amor, paixão, desejo e o que leva um casal a permanecer junto sem amor. Traição não combina com amor, porém, acontece, quais as possíveis causas?   Leia com o coração aberto e sem julgamentos.


 “Do mundo feminino” - De uma forma direta, sucinta e uma certa dose de humor, a autora faz observações sobre o comportamento da mulher em determinadas situações e questiona padrões impostos pela sociedade que ainda são passados de geração em geração, sem levar em conta o que a mulher de hoje pensa e quer viver. Casar ou ter um parceiro não é garantia de felicidade e nem toda mulher precisa ter filhos para sentir-se realizada. Sexo é bom, com ou sem amor, embora haja uma grande diferença.

 
“A verdade escondida pela fantasia” - Fantasia e realidade são apresentadas através de crônicas bem-humoradas. O livro é uma mistura de tudo um pouco. A autora tem um olhar crítico sobre a vida e contextualiza as verdades escondidas e camufladas do dia a dia.
 
Aquisição de livros:
Para adquirir os livros de Ana Cláudia Bett Hinckel, entre em contato diretamente com a autora ou com a UICLAP - link na Bio do Instagram @anaclaudiahinckel
E-book (livro digital), kindle: Pela Amazon por R$5,99 (Link na Bio do Instagram)
 
Solicite gratuitamente o livro digital “Se tiver uma chance, reinvente-se!, pelo e-mail da Ana Cláudia: escritoraana2000@gmail.com 





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