SAÚDE | Entrevista

Célia passou para as filhas o amor pela enfermagem e hoje as três atuam no mesmo hospital
Maio foi o mês da Enfermagem e o portal Sou Catarina entrevistou uma enfermeira apaixonada pela profissão. Célia possui várias especializações, é professora, orientadora de estágio e atua no mesmo hospital onde as filhas também trabalham. Confira a entrevista exclusiva!


Célia com as filhas Milena e Jéssica

A dor da perda prematura do pai e do irmão, influenciaram Célia Maria Raimundo, a escolher a profissão de enfermeira. Hoje, a moradora de Xanxerê - no Oeste Catarinense, já soma mais de duas décadas dedicadas ao cuidado do próximo. "Não me vejo fazendo outra coisa. Gosto muito de minha profissão. Gosto de ajudar as pessoas e ver elas se recuperando," afirma.

Célia atua como enfermeira no Hospital Regional São Paulo (HRSP); possui especialização em Cardiologia e Acupuntura; e é professora e orientadora de estágio em uma instituição de ensino. Hoje, muitos dos ex-alunos, são colegas da enfermeira, como também as duas filhas Jéssica e Milena - Jéssica atua como Controladora da Opme (Órteses, Próteses e Materiais Especiais) no Centro Cirúrgico, e Milena é Técnica de Enfermagem na Emergência.

Em entrevista exclusiva ao portal Sou Catarina, a enfermeira Célia falou sobre o amor pela profissão e os desafios dessa missão. Acompanhe!





Por que escolheu a sua profissão?
Porque perdi meu pai de IAM (Infarto Agudo do Miocárdio) em casa, com 50 anos de idade e meu irmão com 26 anos. Ele foi agredido, recebeu um tiro na nuca e ficou em coma por cinco dias na UTI e veio a falecer. Eu sempre me lembrava disso e sentia que precisava estudar e fazer um curso nessa área. Aí, uma amiga me encorajou a fazer o curso técnico de enfermagem.

Quantos anos de atividade?
São 21 anos e oito meses de profissão na enfermagem.





Hoje, você se imagina fazendo outra coisa?
Não me vejo fazendo outra coisa. Gosto muito de minha profissão. Gosto de ajudar as pessoas e ver elas se recuperando e voltando para casa com suas famílias. Se não em total recuperação, ao menos que estejam no caminho para a recuperação.

Na sua carreira, quais foram os momentos mais difíceis? Existe algo que te marcou?
No meu estágio de técnico de enfermagem, na Emergência, há 23 anos, atendemos um paciente que estava trabalhando de assentar piso. Aquele homem, no manuseio de uma maquita, amputou três dedos da mão direita. Durante o atendimento, ele falava o tempo todo: "Como vou falar para minha esposa? Ela está gestante, vamos ter o bebê essa semana."



Passagem de Catéter Central com Inserção Periférica. PICC, UTI Neonatal



Quando você vai para casa, consegue deixar no hospital tudo que viveu e passou no ambiente de trabalho?
Nem sempre é possível. Em algumas, situações o choro e o grito de desespero, ecoam na minha cabeça. A fisionomia de dor dos rostos dos familiares e o sentimento de impotência, nos deixa com a musculatura dolorida. Porque não é só a família do outro que perde, nós, enquanto profissionais, perdemos também.

Para o futuro, o que espera? Até quando pretende se dedicar em cuidar da vida do próximo?
Espero que Deus me permita ter saúde para cuidar de nossos pacientes e de quem necessitar do meu cuidado.

O que mais te orgulha na sua profissão?
A formação como enfermeira, me possibilitou também ser professora, estar em sala de aula e ser supervisora de estágio. Nesses 13 anos que estou no Hospital Regional São Paulo, tenho orgulho em dizer que ajudei a formar muitos alunos e que agora são meus colegas aqui na instituição ou que trabalham nas instituições vizinhas. Inclusive, também tenho minhas duas filhas que amo muito, trabalhando comigo nessa instituição.


Célia com as duas filhas



Que mensagem você pode deixar para quem gostaria de seguir nessa profissão?
Falo que nossa profissão é uma das mais lindas que existe. Que às vezes, ela pode nos deixar tristes, impotentes... Mas, temos que nos doar e fazer tudo o que está ao nosso alcance, para que ao colocarmos nossa cabeça ao descanso, tenhamos a certeza que fizemos tudo até onde era permitido a nós. Que ao desempenhar o cuidado, sempre devemos ter a oferecer a empatia, humanização e lembrar que vamos cuidar do paciente, como eu gostaria de ser cuidada, ou, como gostaríamos que cuidassem de um dos meus familiares. Para poder oferecer esse cuidado de qualidade, primeiro temos que estar bem. E, quando viermos desempenhar o nosso cuidado, saibamos separar o nosso trabalho do nosso lar. Lembrar que em casa, nossa família nos espera com carinho e saudosos de nossa presença.


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Fotos enviadas por Célia:


Passagem de Catéter Central com Inserção Periférica. PICC, UTI Neonatal



Estágio na maternidade 2015 escola Uesc



Pós-graduação em Acupuntura - Práticas de laboratório - Uningá Chapecó



Plantão na Emergência



Estágio saúde pública 2017 - Escola UESC




Estágio escola +Curso - Estágio Saúde Pública 2016



Divulgação do curso - Eu era Coordenadora do Curso Técnico em Enfermagem - UESC 2018





Congresso Internacional de Epidemiologia em POA em 2008




Estágio final da graduação em 2008


 

Convite da graduação 2009




Estágio  em Saúde Pública 2017




Estágio na Emergência




Alunos 2017




Orientação nas aulas de laboratório - 2015



Estágio pediatria em 2015




Pós-graduação em Cardiologia 2018


 




Netos de Célia, Nicollas, Vitor e Miguel



Estágio 2017 - Conhecendo a unidade Sante Fé, que realizava os transportes aéreos






Fotos da Escola Técnica de Enfermagem UP Educacional



Fotos: Aquivo pessoal da entrevistada


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SAÚDE  |   06/08/2022 21h49