COMPORTAMENTO

Ana Paula Blum garante: “Toda mãe se doa 200% aos filhos e por vezes nos esquecemos do nosso lado mulher”

Neste Dia das Mães o portal Sou Catarina apresenta uma das milhões de mulheres que exerce o mais nobre dos ofícios: a maternidade. Ana Paula Blum é paulista, mas reside com a mãe e o filho de sete anos em Mafra - SC.
Atualmente, a profissão dela não tem nenhuma remuneração financeira, isso porque Paula, decidiu dedicar-se única e exclusivamente ao filho - diagnosticado com o espectro autista grau 2. "Eu sempre soube, mesmo antes do diagnóstico e dos palpites alheios," revela a mãe, que explica: "Alguns dias são mais tranquilos, outros mais tensos."
Ana Paula Blum conta nas redes sociais, um pouco da rotina com o filho André. Para ela é fundamental que a sociedade se informe sobre o autismo, tendo em vista as estatísticas que preveem um aumento nos nascimentos de pessoas dentro do espectro. "Não espere o autismo acontecer perto de você para compreender!"
Neste Dia das Mães, Paula, avalia que "que toda mãe se doa 200% aos filhos e por vezes nos esquecemos do nosso lado mulher." De qualquer forma, ela reforça: "Somos valiosas e merecedoras da felicidade plena!"
Confira a entrevista exclusiva ao portal Sou Catarina.


Conte sobre você.
Sou natural da cidade de São Paulo, capital. Me mudei para Mafra - SC, com 15 anos, juntamente com minha mãe - cidade onde ela cresceu e onde ainda residiam alguns de seus irmãos e minha avó também na época, já falecida. Fui criada somente por ela. Passei a ter contato com alguns parentes maternos após nossa mudança, porém sempre fomos nós duas.



Qual a sua formação e com que trabalha?
Atualmente minha ocupação é ser mãe! (risos) Por conta das demandas na criação do meu filho, estou fora do mercado de trabalho há mais de três anos. Hoje exerço a profissão de mãe, que não tem remuneração financeira!

Você é casada? Tem filhos?
Sou solteira. Tenho um filho que se chama André, de 7 anos e 8 meses. Ele está dentro do espectro autista (grau 2).




Como foi o diagnóstico do seu filho?
O diagnóstico do André aconteceu de fato (clínico com laudo), quando ele tinha dois anos e quatro meses. Porém eu observei os sinais com um ano e meio, momento em que levamos ele para uma consulta pediátrica, onde foi encaminhado ao neuropediatra e posteriormente para as terapias necessárias. Baseadas nos atrasos e comportamentos autísticos, como por exemplo: não manter contato visual, andar na ponta dos pés, não aceitar determinados alimentos...



No início, quando houve o diagnóstico, como você e sua família reagiram? Antes de ser mãe, você já tinha conhecimento sobre o autismo?

Em casa somos eu e minha mãe, que num primeiro momento não achou que fosse autismo quando lhe falei de minha suspeita. Da mesma maneira reagiram alguns outros familiares.
Escutei inclusive que ele era mimado, não autista. (risos)
Quando fechado o diagnóstico, eu, minha mãe e outros familiares já estávamos mais conscientes que de fato ele estava sim dentro do espectro.
Antes de ser mãe, já tinha algum conhecimento sobre autismo, também por isso fui a primeira a notar comportamentos e até atrasos característicos de autistas. Eu sempre soube, mesmo antes do diagnóstico e dos palpites alheios.



Hoje, como é a rotina da sua família?
Para um autista, a rotina é algo muito importante, assim como a previsibilidade dos acontecimentos. Por esse motivo, nosso dia é todo pensado. Procuramos passar a maior previsibilidade possível para o André. Porém, existem fatores que independem do nosso controle, como a mudança no tempo, o que pode alterar os planos. Aí, entra o trabalhar as frustrações! Alguns dias são mais tranquilos, outros mais tensos. Mas, sabemos que com amor, respeito e estímulos, podemos resolver os percalços.



Paula, nós sabemos que mães são anjos na terra, sempre preocupadas, querendo o melhor para os filhos e multitarefas. Por isso, como é a sua rotina de mãe e mulher?
Essa é uma pergunta até difícil de responder, principalmente no que se refere a parte de ser mulher. Acredito que toda mãe se doa 200% aos filhos e por vezes nos esquecemos do nosso lado mulher. A própria sociedade nos julga quando fazemos algo por nós mesmas, como sair com amigas por exemplo. Sem falar dos dias mais tensos, quando só queremos mesmo é descansar (risos).
Tenho buscado fazer algo por mim enquanto pessoa, mulher, para que possa ser melhor mãe até sair, cuidar da aparência e da mente!

Você conta um pouco sobre sua experiência, nas suas redes sociais. Qual seu objetivo? Acredita que mais mães e a sociedade, devem conhecer mais sobre o autismo?
A princípio iniciei os vídeos de forma terapêutica para mim, como um meio de desabafar e de repente encontrar outras mães na mesma jornada.
Acredito muito, que se faz mais que necessário, que toda a sociedade se informe sobre o autismo. As estatísticas mostram uma crescente nos diagnósticos e nos nascimentos de pessoas dentro do espectro.
Estudos mostram que em 2050 haverá um aumento de 75% de casos de autismo. Por isso,
informação nunca é demais e compreender as especificidades de um transtorno do desenvolvimento, só trará evolução para a sociedade como um todo.
Sempre digo: não espere o autismo acontecer perto de você para compreender!




Paula, neste dia das mães, que mensagem você pode deixar para outras mães e os leitores do portal Sou Catarina?
Neste Dia das Mães, primeiramente quero que todas possam se sentir abraçadas por mim e junto a esse abraço lhes dizer: Ser mãe é a missão mais importante do ser humano e todas, sejam mães de autistas ou não, são igualmente importantes, enquanto ser humano, enquanto mulher, enquanto mães... Somos valiosas e merecedoras da felicidade plena!


Fotos: Arquivo pessoal


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