EDUCAÇÃO E CONHECIMENTO | Entrevista

Sonimara superou os desafios e hoje se destaca ensinando a Língua dos Sinais


Um dos grandes desafios de Sonimara, foi ensinar a Língua de Sinais para alunos indígenas

De uma simplicidade tremenda, ela descobriu que poderia ser muito mais feliz, ajudando outras pessoas. Sonimara da Silva adotou Xanxerê como a terra para formar sua família e nela se tornou uma profissional gabaritada na Língua de Sinais.
Com formação em Pedagogia, um convite a fez aprender Libras e desde então, vários alunos já passaram por ela, com um grande desafio - ensinar a língua de sinais para indígenas.
Hoje, Sonimara pode ser vista em várias aparições de interpretes de Libras, como nas transmissões de conteúdo de órgãos públicos e privados.
Conheça um pouco mais da história de Sonimara da Silva, nesta entrevista exclusiva para o Sou Catarina.

 
Quem é Sonimara da Silva?
Sou Sonimara da Silva, nasci em Concórdia ,no dia 14 de agosto de 1970,vim para Xanxerê ainda bebê. Tenho três filhas: Indaiá, Amanda e Ana, três netos sendo duas meninas; Laura e Antônia e um menino, Davi, e sou casada com Dilson Prudente.
Sempre estudei em escola pública no qual tenho muito orgulho. Minha formação inicial é pedagogia - anos iniciais e pós em educação especial, terminando a segunda graduação em educação especial.


Qual foi seu primeiro contato com a língua de sinais e como foi a formação em libras?
 Meu contato com a língua de sinais foi em 2003, quando começou no estado a inclusão de alunos surdos no ensino regular. Na época a coordenadora da educação especial era a Marisa Fátima Padilha Giroletti que me convidou para participar de um curso de Libras, pois estavam precisando de Intérpretes de Libras.
Fiz o curso com a instrutora de Libras, Carla Cris Passetti e ficava pensando que não iria conseguir, pois era muito difícil. No final, deu certo, consegui aprender e fui trabalhar um ano na escola estadual João Winckler onde tinha três alunos surdos para alfabetização. Foi um desafio, pois ainda não tinha trabalhado com alfabetização e não tinha material para trabalhar com eles, com o uso do dicionário em Libras e muita dedicação e ajuda da professora regente conseguimos. Depois fui trabalhar na educação indígena, pois tinha muitos alunos surdos. Esse sim foi um desafio grande porque entrei numa cultura totalmente diferente de ensinar a língua de sinais para eles, às vezes nós tínhamos três professores em sala um instrutor surdo, o professor de Kaingang e eu com o português, muito aprendizado.


 
Como você vê o uso de Libras atualmente?
Percebo que a Língua de sinais é uma realidade do qual assegurada por lei desde 2002 e mais inclusiva, pois antes não se via os surdos trabalhando, se comunicando com sua própria língua, tornando-se profissionais de qualquer área. Hoje temos surdos trabalhando em universidades, na educação e outros, também vejo como uma oportunidade de trabalho pois a demanda por profissionais que sabem Libras existe no mercado, e é um ótimo caminho profissional para quem se identifica.
E o aprendizado da Língua de Sinais te capacita para ser intérprete nos mais variados serviços públicos ou privados.



Quais são os principais desafios para a introdução da língua de sinais de uma forma mais ampla?
Os desafios: profissionais capacitados para atuar na área de interpretação e tradução; aceitação da língua na sociedade como uma língua e não como mímica ou gestos; educacional; cumprimento da lei; baixa contratação de surdos no mercado de trabalho.

 
É difícil aprender e ensinar?
Não é difícil aprender Libras, tudo vai depender da sua dedicação, tempo de estudos e contato com a língua para praticar.  Já para ensinar são os professores surdos que nos ensinam, pois são eles quem têm domínio da língua, onde não tem esse profissional surdo ,daí pode ser um profissional ouvinte desde que seja qualificado para atuar no curso de Libras.


Por: Joimara S.Camilotti
Fotos: Arquivo pessoal



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