EMPREENDEDORISMO

Irene Sá Affolter - perspicácia para liderar e conhecimento para agir


Irene Sá Affolter se destaca na liderança e empreendedorismo

Com muito foco e determinação, ela saiu aos 11 anos de casa em busca de seus sonhos. A empresária Irene Sá Affolter estudou e ainda estuda muito, para abrir todas as portas do sucesso. Seus filhos são os maiores tesouros, seus pais seu acalento e, sua força de vontade não deixa nenhum obstáculo sem ser superado.
Dona de uma escola de inglês, professora universitária, presidente da Acix (Associação Empresarial de Xanxerê) e vice-presidente regional do CEME- Coonselho Estadual da Mulher Empresária de SC, com agenda cheia, ela mostra que organização e um time afinado, fazem toda a diferença.
Conhecedora de 34 países, colecionadora de miniaturas de elefantes, Irene ainda é voluntária e entusiasta com o crescimento e desenvolvimento das pessoas e da cidade onde vive.
Se inspire na história dessa líder, nesta entrevista exclusiva para o Sou Catarina!

 
Irene, conte um pouco sobre você!
Nasci no interior de Abelardo Luz, na comunidade de Formigas, filha de uma professora alfabetizadora, mulher prendada e líder na comunidade e de um pai agricultor, também participativo, ligado à música e esporte, de onde vem a minha veia participativa e voluntária, (e minha paixão pelo time do Palmeiras).
Sai de casa cedo, aos 11 anos, para estudar. Morei com meus avós em Abelardo Luz, nesta fase de 5ª à 8ª série. Aos 15 anos vim para Xanxerê para cursar o Magistério, pois queria ser professora, como minha mãe. Desde então, adotei Xanxerê como minha cidade, de onde sai para outras cidades e para o mundo, somente para estudar ou a trabalho.
Meu primeiro trabalho aos 16 anos e meio foi como auxiliar de secretária no Colégio La Salle. Me tornei professora pública aos 20 anos, depois empresária abrindo a minha escola de línguas FISK e também professora universitária, bem como, agente de viagens e coordenadora de Relações Internacionais na Unoesc.


Minha formação é Letras - Pós graduada em Literaturas, língua Portuguesa, Língua Inglesa e Língua espanhola. Francês básico. Ainda vou ser fluente em Francês um dia, para me dar de presente este belo idioma.
Graduação em Letras Inglês, na Facepal, em Palmas (PR);
Pós-graduações em Português e Literaturas, na URI (RS), e
Espanhol e Inglês, na Unoesc Xanxerê (SC); Aperfeiçoamento Internacional em Inglês, em New York, London  & Toronto; Curso em Business na LSI (Londres e Toronto); Curso em Marketing and Strategies for Developing Countries na UNB - Normal University -, em Pequim (China); TESOL, na Mississippi College (Estados Unidos); Professora, Empresária, Agente de Viagens e Relações Internacionais; Vice-Presidente Regional do Conselho Estadual da Mulher Empresária de Santa Catarina (CEME); Presidente da Associação Empresarial de Xanxerê (ACIX) - Gestão 2021/2022.
No lado pessoal, posso dizer que sou uma pessoa afortunada, tenho uma família bacana, pais com 80 anos, que posso ver todos os dias, irmãos, sobrinhos, afilhados, enteados que amo e fazem parte do meu cotidiano, amigos verdadeiros e incríveis. Só tem lugar para gratidão neste coração.

Eu gosto de concluir minhas apresentações dizendo, que já realizei muitas conquistas fascinantes, já estive em muitas maravilhas do mundo, já recebi títulos e cargos importantes, a vida tem sido muito generosa comigo e eu sou grata a tudo, mas nada se compara às relíquias que a vida me deu, que levam o nome de Matheus e Pedro Paulo!(Love you my sons)

Ao longo de sua história, o sucesso em tudo o que pôs a mão é notório. Ao que se dá esse progresso?
Estudo, determinação e foco! Senso de responsabilidade. Entender que tudo é uma questão de oportunidade de crescimento e evolução enquanto cidadão e não importa se é a sua profissão, seu trabalho ou um compromisso voluntário em entidades e afins, se você assumiu, deve dar o seu melhor, deixar o seu legado. Isso está ao alcance de todos, basta ter vontade e determinação.
 
Quais foram as maiores dificuldades que encontrou e como superou?
Sou adepta da frase de Nelson Mandela, "eu nunca perco: ou eu ganho, ou aprendo".  Este é o meu mantra, então, as dificuldades sempre foram encaradas por mim, como uma ponte que eu tinha de atravessar ou um degrau a mais que eu tinha de escalar para chegar aonde eu queria. Às vezes a ponte era perigosa e os degraus eram muitos, mas eu sabia que com determinação e cuidado eu atravessaria e chegaria do outro lado. Mas posso destacar uma grande dificuldade nos meus quatro anos de faculdade em dominar a língua inglesa, foi o meu grande desafio e como busquei superá-lo através de muita dedicação e estudo, foi exatamente o inglês" que abriu todas as portas para mim e meus filhos.

 
Como resolveu empreender, abrindo as portas da escola de idiomas Fisk e como incentivar as mulheres a tomar esse norte também?
 Comecei a dar aulas na escola pública durante meus últimos anos de faculdade, o que me fez sair do cargo de secretária. No entanto, somente a sala de aula não me bastava: eu queria algo mais, algo meu, onde eu pudesse ensinar do meu jeito, com a metodologia que eu acreditava que faria meu aluno aprender outra língua de verdade. Recebi de um colega professor, o convite para atender um grupo de engenheiros e veterinários do grupo Sadia (atualmente, BRF). Há 33 anos atrás, esta empresa foi fundamental na minha vida de empreendedora, porque me levou a questionar: por que não abrir a minha própria escola?
Abri primeiramente a Pink & Blue Freedom e, três meses depois, ganhei diretamente da matriz em São Paulo a franquia FISK. Três anos mais tarde, mudei para o centro da cidade e ampliei as instalações; 12 anos depois, em 2000, inaugurei a sede própria no coração da cidade, onde estamos localizados atualmente.
Para as mulheres que gostariam de empreender, sugiro que busquem informações na Sala do Empreendedor, ou no balcão SEBRAE e na  Associação Empresarial da sua cidade, no caso de Xanxerê, a ACIX,  e principalmente,  não desistam dos seus sonhos, acreditem nas suas ideias e nesta vontade que está dentro de vocês. Procure as pessoas certas para receber orientações e incentivos. Nada é fácil e nem é do dia para a noite. Sejam persistentes.  Tenham foco e determinação.

 
Como presidente de uma das maiores entidades de Xanxerê, a ACIX, quais são as ações realizadas ao longo deste ano e os projetos para 2022?
Este ano foi desafiador, a exemplo do ano anterior devido à pandemia. Após solenidade de posse, o grande primeiro embate foi atender o pedido de um grupo de empresários e entidades para gerenciar a ação (doações financeiras e compras de equipamentos e remédios) para salvar vidas junto à secretaria de saúde e o poder público, de fevereiro a abril. Paralelo a isso, fundamos o núcleo de Energias Renováveis e iniciamos online as primeiras reuniões para tirar do papel a feira FAEX Energy, que já vinha sendo pensada por nós nas gestões anteriores, onde tornando a feira uma realidade nesta gestão, pretendemos projetar Xanxerê como polo em energias limpas na América Latina. Foram inúmeras reuniões no decorrer do ano e lançaremos nos dias 16, 17 e 18 de fevereiro de 2022, a 1ª Feira de Energias Renováveis de Xanxerê.
Através da pasta de Tecnologia e Inovação, continuamos dando foco ao projeto TEIA, que saiu da ACIX rumo ao sonhado Centro de Inovação de Xanxerê, agora nas mãos do poder público, com o envolvimento das  entidades, sistema S escolas/ universidades. Todos com o mesmo propósito; fazer acontecer o ecossistema de Xanxerê, que já dispõe da ITEX - Incubadora Tecnológica de Xanxerê;
Nesta gestão, para dar fluxo à incubadora e sequência ao projeto TEIA, a ACIX aportou uma expressiva quantia financeira, em parceria com o SEBRAE, para trazer o CoCreation Lab para Xanxerê e assim oportunizar que ideias pudessem virar negócios. Ao longo de seis meses de treinamentos e mentorias, totalizamos com nove projetos em novas empresas de Xanxerê.


Fizemos várias ações/palestras para o nosso associado sobre a LGPD;
Em março iniciamos o programa Conecta ACIX, com a Super Difusora, onde semanalmente entrevistamos profissionais nos mais diversos setores da economia com foco ao empreendedorismo, tecnologia e inovação. Esta produção de conhecimento está à disposição de todos, no youtube da ACIX.
Realizamos a solenidade de 51 anos, com a noite de autógrafos do livro de 50 anos da ACIX, homenagem aos ex-presidentes e aos Empresários do Ano; Trabalhamos nas várias soluções e ferramentas empresariais ao associado ACIX.
Através da atenção aos núcleos, atendemos nossos associados nos mais diversos segmentos.
Realizamos junto com a CDL, dois EMPRETECs e também a Rodada de Negócios com JCI e Sebrae;
Criamos o núcleo do Comércio Exterior - COMEX para atender quem pretende ou já trabalha com importação e/ ou exportação.
Para 2022, dar sequência em todo o suporte rotineiro ao associado;
Realizar a FEIRA FAEX Energy (e vai ter muito trabalho);
Comercializar os espaços da EXPO FEMI e auxiliar o poder público na realização da mesma, junto com as demais entidades para que seja uma grande feira para Xanxerê e região;
 Depois de dois anos, voltar a realizar o Empresário do Ano; Realizar missões empresarias internacionais (se estivermos livres da pandemia).
 

Líder nata e forte influenciadora do associativismo e empreendedorismo feminino, como você vê a mulher na sociedade hoje?
Hoje a mulher faz as suas escolhas, ela deixou de ser uma figura de elemento secundário e passou a ser de extrema importância na sociedade atual, onde exerce cada vez mais o seu papel de protagonista da sua própria história, abandonando a figura "do lar" e assumindo postos de lideranças e cargos de chefias/ CEO nas grandes corporações e buscando se formar em profissões que antes eram somente do mundo masculino, muito embora,  ainda sofra com os resquícios da herança histórica do sistema social  patriarcalista, mas a mulher evoluiu bastante em sua luta pela igualdade, mesmo muitas vezes sentindo-se sobrecarregada, ela tem ciência de que tudo tem um preço, é e o preço da liberdade de poder escolher.


Fazendo parte da  diretoria da ACIX apor vários anos consecutivos, sempre deixei clara a minha vontade em fundar o NME - Núcleo das Mulheres Empresárias, pois há anos, já fiz parte da Câmara das Mulheres Empresárias, que  deixou de existir. Dessa vontade,  junto com a colega diretora Ana Cecilia Sirino, criamos o Núcleo das Mulheres Empresárias da ACIX, do qual fui a primeira coordenadora , onde na primeira ação de março de 2018, tivemos a grande alegria de superlotar o anfiteatro da Unoesc, trazendo Monja Coen, para a abertura de nossos trabalhos no mês da mulher.
E assim tem sido! Estamos há quatro anos com o Núcleo, sempre capacitando e melhorando a vida empresarial e pessoal das nossas nucleadas, onde atualmente contamos com quase 30 nucleadas e sempre  tem alguém aguardando para entrar, pois de fato , o Núcleo muda a vida de quem participa. O associativismo muda a vida de quem quer empreender e crescer, tanto no corporativo quanto no pessoal.
 

 Onde ainda há lacunas que ela pode preencher?
 Há muitas lacunas. O acúmulo de funções, como dar conta da casa, filhos, estudo, trabalho, gera a mulher dos 03 ou 04 turnos, mas é um processo que vamos vencendo em escala.  Nós já evoluímos bastante, graças à luta de muitas mulheres incríveis no passado. Atualmente há uma preocupação dos grandes líderes, mundiais inclusive, com projetos que trabalham o empoderamento de meninas, à exemplo do presidente do Rotary Internacional  Shekhar Mehta que neste mandato(2021/22), está dando enfoque à  este tema. Então, esta cultura está mudando no mundo. Há muito o que conquistar, mas sigamos agradecidas pelo que já conquistamos e nos fortalecendo cada vez mais para chegarmos um dia, lá no futuro, onde nossas netas terão uma sociedade mais justa e igualitária.
A mulher pode ser o que ela quiser, mas para isso, ela tem de querer de verdade, buscar aperfeiçoamento, capacitação, deixar a zona de conforto e a desculpa de que os homens não nos dão espaço. O espaço a gente conquista com trabalho sério, e com enfrentamento. Se é o que você quer, se prepare e se permita. 
 
Mãe, professora, empresária, voluntária e ainda com tempo para cuidar de si, que lição você passa para as mulheres que tem medo de não dar conta de tudo?
Na verdade, a pergunta que elas sempre me fazem é: "Como você dá conta de tudo?" É simples. Primeiro, eu faço isso tudo porque eu gosto de participar. Trabalhar e estudar bastante sempre foi normal para mim, nada de vitimismo e participar do associativismo/ voluntariado, é empolgante, uma espécie de remédio que faz bem ao coração, à alma e ao corpo físico.   Eu organizo a agenda da semana, no domingo à tardinha ou noite. Disponho de uma equipe de colaboradores na minha empresa que são competentes e não precisam da minha presença física constante;
Na ACIX, contamos com um time renovado e comprometido, a exemplo da gerente executiva, da financeira, da recepcionista, consultora comercial e assessora de imprensa. (estamos reestruturando o time para a EXPO FEMI).
Na Unoesc, disponho de uma assistente na Coordenadoria de Relações Internacionais.
Meus filhos já são adultos, Matheus mora no exterior e Pedro é meu parceiro na FISK, como professor de inglês e gestor financeiro.
Em casa, tenho uma auxiliar.
Também atendo os meus pais idosos, mas conto com a ajuda dos irmãos;  entendam, não sou uma super heroína, nem quero passar essa ideia, sou uma mulher normal, que ama o que faz! Tenho a ciência de que somente consigo dar conta, porque tenho pessoas, time, que me dão total suporte. Precisamos das pessoas. Sozinhos, conseguimos pouco ou quase nada!

 
Entre tantas responsabilidades, você também tem seus hobbies e paixões. Quais são?
Bem, amo estudar, não paro. Estou sempre participando de algum curso, capacitação, congresso, etc. Amo viajar e conhecer novas culturas e tenho a sorte de ter um trabalho que me facilita realizar isso, chegando a 34 países visitados até 2019, através das relações internacionais da Unoesc, quanto na minha escola de línguas eu realizo viagens de estudo e culturais com grupos de alunos, e também empresariais, no entanto, nestes dois últimos anos, por conta da pandemia, ficamos parados.
Paixões: Fotografar (amoooo) natureza, animais, pessoas... tudo! Gosto de fotografar A VIDA e também de colecionar miniaturas, posters, e tudo o que for relacionado a elefantes e mugs/ xícaras dos lugares onde vou! Mas, o forte mesmo, são os elefantes.
 
Seu nome figura no município com muito destaque, chamando a atenção para ser uma representante feminina nas eleições municipais. Como você encararia esse desafio?
Já ouvi isso há 2 anos atrás e neste ano com mais frequência. Não nego que me sinto lisonjeada por tamanho reconhecimento, como também não nego, que nunca tive esta vontade, ademais, sou uma apaixonada pelo associativismo e tenho me realizado exercendo minha liderança nesta área, ajudando a capacitar mais mulheres para cargos de lideranças, tanto corporativas, quanto políticas.
Como encararia? Não encararia.


 
Por: Joimara S.Camilotti


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