AGRONEGÓCIO | Entrevista

Catine se divorciou, assumiu sozinha a lavoura de cebolas e produziu 60 toneladas por hectare - mais do que o dobro da média estadual

A história dela, é daquelas de 'tirar o chapéu'. Ela é agricultora, mas nunca havia gerenciado sozinha a propriedade. Esse cenário mudou quando Catine Hetkowski, de 36 anos, se divorciou, em 2020. O momento foi de desespero e muitas lágrimas. Ela poderia ter se mudado para cidade, mas decidiu permanecer no interior, junto com a filha de oito anos e assumir o cultivo da terra.
O trabalho não foi fácil. Catiane precisou aprender sobre o solo, manejo da terra, adubação, técnicas de plantio, gerenciamento... Para isso, ela recebeu ajuda de especialistas e principalmente dos pais. O resultado foi incrível: enquanto a média de produção de cebolas em Santa Catarina, varia entre 25 mil kg, até 40 mil kg por hectare - a Catiane colheu 60 toneladas por hectare.
Confira na entrevista!


 

Catine conte sobre você.
Meu nome é Catine Hetkowski. Sou natural de Quilombo, no Oeste Catarinense. Sai de lá com meus pais, quando eu tinha nove anos. Fomos morar na cidade de Bom Retiro. Com 17 anos vim morar na cidade de Alfredo Wagner, na comunidade de Pinguerito. Hoje estou com 36 anos, sou agricultora, tenho uma filha de oito anos - que é a razão pelo qual luto com todas as minhas garras. Ela é meu foco! Me separei há um ano. Até então, eu trabalhava na roça, mas nunca tinha exercido algumas atividades na lavoura.
 


Qual o maior desafio na criação e educação de sua filha de oito anos?
Ser mãe é um amor sem explicação. Minha filha é minha inspiração, minha razão de viver, minha dedicação. Em março sofremos um acidente eu e minha filha. O carro deu perca total, mas Deus é tão grande, que deixou eu e minha filha inteiras. Isso, porque tínhamos uma missão a cumprir juntas. Foi daí em diante que ergui a cabeça e me determinei. Olhando para meus pais e minha filha, vi que tinha que seguir em frente. Criei mais determinação, dedicação e empenho pela lavoura. Dei o melhor que pude para ter uma ótima produção, mesmo com vários imprevistos, já que foi um ano chuvoso, com o trator escorregando. Mas em momento nenhum pensava em desistir. Pensava comigo: "vai dar certo!" E sempre pedindo a Deus que me guiasse, aos poucos fui pegando o jeito e me virando. Tive dificuldades até aprender, mas sempre com determinação, com ajuda de profissionais agrônomos, aos poucos fui pegando o jeito.


Como o divórcio impactou em sua vida?
Quando me separei, fiquei um pouco perdida. Não sabia se continuaria na lavoura ou se iria para cidade, mas por pedido da minha filha, que queria continuar perto do pai, enfrentei a lavoura sozinha, com muitas aflições e sem saber se iria dar certo. Meus pais e amigos me incentivaram. Diziam: "Vai que você consegue!" Me inspirei neles e bola para frente. Sempre me inspirando, sempre pensando positivo em meio a tantas dificuldades... Mas Deus sempre no comando! Eu adoro trabalhar na agricultura. Depois de tantos aprendizados, hoje estou mais tranquila.
 

Como é a rotina de produção das cebolas? É uma atividade muito trabalhosa? Como organiza a rotina de trabalho?
Meu dia a dia é corrido porque tenho que cuidar da lavoura, da casa e da filha, que hoje já me ajuda com as tarefas da casa. Hoje aprendi que os momentos mais difíceis, são para mostrar que somos capazes de suportar. Sou uma pessoa determinada e vou à luta para realizar meus sonhos metas e objetivos. Carrego comigo a vontade de vencer na vida e também me agarrei aos meus pais que lutaram por mim e diziam: "Vamos filha, você consegue! Você é batalhadora."

Pais de Catiane deram todo o suporte e apoio
Pais de Catiane incentivaram a filha e deram todo o suporte no cultivo e colheita da lavoura

Sobre a rotina da produção, começamos a semear a semente em abril. A muda fica pronta para o transplante em julho. Depois de plantada, daí os cuidados são maiores. É cansativo, mas satisfatório. Plantei três hectares de cebola e quatro hectares de milho. Também tenho produção de outros alimentos: batata, aipim, feijão, batata doce, aipo, carne suína, carne bovina... Sobre a rotina, depois de semear, é tempo de dedicação desde o mês de abril até final de novembro. Tem muito esforço, a pulverização, o cuidado com o mato e todas as ações preventivas. Amo o que faço!
 


A previsão de colheita para sua propriedade é de 60 toneladas por hectare, qual o segredo do sucesso para esse saldo positivo?
A previsão da colheita foi muito maior do que eu pensava, aí veio a recompensa de tanto que valeu o esforço, as aflições os aprendizados... Só gratidão! Hoje, o normal para nossa região, varia entre 25 mil de cebola kg, até 40 mil kg. Mas eu colhi 60 toneladas por hectare. Fico feliz só em ver a alegria de meus pais, que estão mais felizes do que eu. Ver o sorriso deles estampado no rosto, só isso já valeu tanto esforço e dedicação.

 
 


Quais as maiores lições de vida que já aprendeu? E que conselhos daria para outras mulheres que buscam realizar seus sonhos profissionais?
Se você quer uma coisa, vá em frente e lute com toda garra. Sempre pense positivo. Para outras mulheres eu digo: lutem, porque o esforço vale muito a pena. Nunca desistam de seus sonhos. Coloquem Deus na frente e mantenham sempre muita determinação e garra. Falo por experiência própria. Chega de chorar mulheres. Vamos à luta. Por mais complicado que seja a situação, nunca desistam, ergam a cabeça e vamos à luta que venceremos. Se Deus nos deu vida, é porque temos uma missão a ser cumprida. Nunca desistam, falo por experiência. Vamos à luta, sempre com garra e determinação. Vamos colocar mais mulheres no agro.



O que espera para seu futuro na agricultura? Quais são os próximos planos?
Espero um ano bem mais calmo, porque agora tenho noção do que é cuidar da lavoura, mas sempre com os pés no chão. Meus próximos planos, são de plantar a mesma área de cebola e cultivar e continuar com milho. Quero curtir mais meus pais e minha princesa.



Para 2022, que mensagem você deixa para quem estiver lendo essa entrevista?
Desejo um próspero ano novo, cheio de bênçãos e alegrias. Desejo que Deus abençoe nossas jornadas. Vamos lembrar que sempre, a melhor palavra, é gratidão.



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