JUSTIÇA

Cidade do Oeste lidera lista de homicídios contra mulheres


Para o juiz Alexandre Takaschima, titular da 2ª Vara Criminal da comarca de Lages é preciso diminuir os índices de agressões e mortes contra as mulheres nas cidades.

Chapecó, Joinville, Florianópolis, Blumenau e Lages lideram a lista com o maior número de homicídios de mulheres. Entre 2015, ano em que foi aprovada a Lei do Feminicídio, até junho deste ano, foram registradas 11 mortes, só em Lages.

Para o  juiz Alexandre Takaschima, titular da 2ª Vara Criminal da comarca de Lages é preciso diminuir os índices de agressões e mortes contra as mulheres nas cidades.

-Na minha experiência, atuando na 2ª Vara Criminal de Lages, verifico que existe uma ideia de que é justo os homens fazerem uso de violências contra as mulheres como forma de relacionamento e transformação de conflitos, com o entendimento de que as mulheres devem ser submissas aos homens. Até o direito de fala as mulheres não têm, pois são consideradas histéricas, maus exemplos, mal-amadas, insatisfeitas, etc. Acredito que são esses valores sociais que infelizmente legitimam os homens a serem violentos com as mulheres. Muitos dizem em seus interrogatórios que ‘amam’ as vítimas, mas o que eu vejo são atos de violência e não de amor – destaca.

Conforme o magistrado é importante uma estruturação de uma rede de todas as instituições governamentais e não governamentais que atuam com a violência doméstica.

- Para que possamos nos conhecer e atuar de forma mais eficiente nos atendimentos das mulheres vítimas e dos homens autores de violência doméstica. Outro ponto importante é a melhoria do atendimento das vítimas para que elas sintam confiança e segurança em denunciar as violências que sofrem. Outra questão relevante está na autonomia financeira das mulheres, para que possam superar o ciclo da violência. Acredito que precisamos fazer cessar imediatamente as violências contra as mulheres que estejam ocorrendo neste momento, mas também temos que pensar em como transformar esse valor de respeito às mulheres em algo concreto e real, e não apenas um discurso: são raros os homens que admitem ser violentos contra as mulheres, mas todos os dias recebo novos casos de violência doméstica. Essa é a contradição: eu e a grande maioria dos homens não nos enxergamos violentos (violência física, moral, psicológica, sexual, patrimonial), nos iludindo que não somos machistas. Tenho tentado seguir esta regra: se eu amo, devo ter atos de amor. Violência é ódio, não amor- frisou.
 
(fonte: MPSC)
 





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